TECHNU é o antigo nome egípcio do pássaro Íbis, ligado ao Deus Tahuti. Para os gregos Ele era Thoth e também o Hermes ptolomaico, o Mensageiro e Escriba dos Deuses, Patrono das Ciências e das Artes, cujo Livro das Imagens Hieráticas foi passado aos homens através de Sua heráldica.
E este é conhecido por todos como o Livro de Thoth.

SOCIEDADE LAMATRONIKA - Página Oficial / Official Page

Photobucket - Video and Image Hosting

Sexta-feira, 7 de Março de 2008

TAROCCHI

O INÍCIO DOS BARALHOS DE TARÔ

A relação entre as cartas de tarô e o jogo de cartas está bem documentada. Recentes pesquisas colocam como provável que o jogo de cartas foi usado na Boemia cerca de 1340. Também é considerado que algumas cartas têm sido usadas na Espanha islâmica a partir de 1371.

Existe somente uma fonte relevante que descreve a estrutura dos primeiros baralhos, Johannes of Rheinfelden em 1377, e ela descreve sobre 3 baralhos com 52 cartas, mas outros 3 também.

Uma maior distribuição do jogo de cartas na Europa pode com alguma certeza, ser dado a partir de 1377 em diante. Um baralho com similaridades ao tarô citado acima parece ter se desenvolvido cerca de 40 anos depois. O baralho é descrito em um texto extenso escrito por Martiano da Tortona.

O texto de Da Tortona é suposto ter sido escrito entre 1418 e 1425, uma vez que em 1418 o pintor confirmado Michelino da Besozzo retornou a Milão, e Martiano da Tortona morreu em 1425. Não pode ser provado que as cartas de tarô não existiam antes desta data, mas parece improvável como o texto de Martiano da Tortona foi escrito no mínimo 15 anos antes do que outros documentos corroborados.

Da Tortona descreve um baralho similar às cartas de tarô em formas muito especificas. O que ele descreve é mais um precursor para o tarô do que poderíamos chamar de cartas “reais” de tarô. Por exemplo, seu baralho tinha somente 16 trunfos, seus motivos não são comparáveis às cartas de tarô comuns (eles são deuses Gregos) e os naipes são quatro espécies de pássaros, não sendo comum nos naipes Italianos.

O que faz do baralho Da Tortona similar às cartas de tarô é que estas 16 cartas são obviamente consideradas como cartas trunfo em um jogo de cartas; aproximadamente 25 anos depois, um orador quase contemporâneo, Jacopo Antonio Marcello, chamou-os de ludus triumphorum, ou “jogo de vencedores”. A carta em que Marcello usa este termo foi documentada e traduzida na internet.

Os próximos documentos que parecem confirmar a existência de objetos similares às cartas de tarô são dois baralhos de jogos de carta de Milão (Brera-Brambrilla e Cary-Yale-Tarocchi) – existente, mas fragmentado – e três documentos, todos da corte de Ferrara, Itália. Não é possível colocar uma data precisa nas cartas, mas é estimada que tenham sido elaboradas cerca de 1440.

Os três documentos datam de 1° de Janeiro de 1441 à Julho de 1442 com o termo trionfi documentado pela primeira vez em fevereiro de 1442. O documento de Janeiro de 1441, que não usou o termo trionfi, não é considerado totalmente seguro; todavia o fato é que o mesmo pintor, Sagramoro foi comissionado pelo mesmo patrono, Leonello d’Este, como atestado no documento de fevereiro de 1442, indica que isso é no mínimo plausível um exemplo deste tipo.

Após 1442 permanecem uns sete anos sem quaisquer exemplos de material similar, que não confere qualquer razão para concluir uma maior distribuição do jogo durante esses anos. O jogo pareceu ganhar importância no ano de 1450, ano do Jubileu na Itália, onde se viu muitas festividades e grandes movimentos de peregrinação.

Até este tempo, todos os antigos documentos relevantes apontam para a origem das cartas do trionfi como estando nas classes altas da sociedade Italiana, especificamente as cartas de Milão e Ferrara. Na época estas eram as cartas mais exclusivas nas cortes da Europa.

No contexto dado, fica aparente que os motivos especiais nos trunfos que foram adicionados aos jogos de cartas regulares com uma estrutura de “quatro naipes de 14 cartas”, foram ideologicamente determinados. Alguns acham que as cartas apresentam um sistema específico de transporte de mensagens de diferentes conteúdos: antigos exemplos conhecidos apresentam idéias filosóficas, sociais, poéticas, astronômicas e heráldicas, por exemplo, assim como um grupo de velhos heróis Romanos/Gregos/Babilônicos, como no caso do Tarocchi da Sola-Busca (1491) e o poema Boiardo Tarocchi (produzido em uma data desconhecida entre 1461 e 1494).

Por exemplo, o mais antigo baralho, existente somente em sua descrição no pequeno livro de Martiano, foi produzido para apresentar o sistema de deuses Gregos, um tema considerado muito elegante na Itália da época. Sua produção pode muito bem ter acompanhado uma celebração triunfal do patrono Filippo Maria Visconti, duque de Milão, significando que o propósito do baralho era expressar e consolidar o poder político em Milão (como era comum para outros trabalhos de arte da época). Os quatro naipes apresentavam pássaros, motivos que apareciam regularmente na heráldica do Visconti, e a ordem específica dos deuses dão razão para assumir que o baralho foi pretendido implicar que os Visconti se identificavam como descendentes de Júpiter e Vênus (que eram vistos não como deuses, mas deificados heróis mortais).

Esse primeiro baralho conhecido parece ter tido o padrão de dez cartas numeradas, mas tendo reis como a única carta da corte, e somente 16 trunfos. O padrão posterior (quatro naipes de 14 mais 22) levou tempo para se assentar; baralhos trionfi com 70 cartas são apenas comentadas ainda em 1457.

Nenhuma evidência corrobora para o padrão final das 78 cartas existentes antes do Poema Tarocchi de Boiardo e do Tarocchi da Sola-Busca.

As opiniões de pesquisadores são que os primeiros baralhos trionfi, primariamente tiveram cinco naipes de quatorze cartas somente; ou cinco naipes de 16 cartas.

Este é visto como um baralho produzido para o casamento de Bianca Maria Visconti e Francesco Sforza em Outubro de 1441 usualmente; como pintor é sugerido normalmente Bonifacio Bembo

As cartas (somente 67) estão hoje na Biblioteca da Universidade de Yale de New Haven. Mas o mais famoso desses antigos baralhos de tarô foi pintado entre 1450 e 1466, mas é estimado ter sido produzida em 1452.

14 trunfos e todos os arcanos menores são considerados por terem sido pintados por Bembo, 6 outros trunfos foram feitos por um segundo artista de modo que esse segundo detalhe levou a teoria dos 5x14, que sugere, que as cartas Trionfi se desenvolveram através de estágios com 5x14 ou 5x16 cartas somente.

Das cartas originais, 35 estão no Pierpont Morgan Library, 26 estão na Accademia Carrara, 13 estão na Casa Colleoni e dois, o Diabo e a Torre, estão perdidos, ou possivelmente jamais foram elaborados. Este baralho Visconti Sforza, que tem sido amplamente reproduzido, combina os naipes de espadas, bastões, moedas e copas e as Cartas da Corte com o Rei, Rainha, Cavaleiro e pajem com trunfos que refletem a iconografia convencional da época a um grau significante.

Por um longo tempo as cartas de tarô permaneceram como um privilégio para a classe mais alta da sociedade, e, não obstante, alguns sermões censuravam de uma maneira acre o mal inerente nas cartas, que pode ser traçado ao século XIV, já que a Igreja Católica Romana e muitos governos civis não condenavam rotineiramente as cartas de tarô durante o início de sua história. De fato, em algumas jurisdições, as cartas de tarô foram especificamente isentadas das leis, doutro modo proibindo o jogo de cartas.

http://trionfi.com/

O TARÔ DO SÉCULO XVII

Pouco se comenta sobre o Tarô no século XVII, composto de lâminas usadas como uma forma de passar determinados conteúdos morais e religiosos através da difusão de uma técnica chamada Mnemônica praticada nos baralhos Medievais e Renascentistas. Neste período de transição muito importante que o Tarô atravessou, surgem algumas modificações que influenciaram as lâminas e as formas de jogos de cartas, algumas que ainda hoje operam.

Alguns fatos de interesse estão relacionados às modificações impostas pelo conselho cardinalício da época em algumas lâminas como a Papisa e o Papa, Imperatriz e o Imperador no Tarô de Bolonha [1] e no Minchiate de Florença. No Tarot du Besançon a Papisa foi substituída por Juno e o Papa por Júpiter.

A Escola Francesa começa a se desenvolver espalhando o jogo de cartas com os sinais dos naipes gravados em suas lâminas como Clavas, Corações, Espadas e Diamantes, que hoje são conhecidas usualmente como Paus, Copas, Espadas e Ouros. Contudo, alguns pesquisadores tendem para duas correntes sobre as origens destes sinais; uns teorizam o surgimento destas em Milão, outros que tenham surgido do Tarô Mameluco (Mamlûk) do início do século XV.

TARÔ DE MARSEILLE

O modelo de Marseille é considerado um dos mais populares Tarôs hoje em dia. Suas lâminas foram produzidas em algumas regiões da França, tais como, Paris, Belfort e Avignon, no entanto, este título “Marseille” foi conferido nos anos 20 por Grimaud, chamado Paul Marteau, tomando o seu modelo a partir da segunda edição “oficial” do Marseille por Nicolas Conver em 1760. Existe uma corrente de pesquisadores que teoriza sobre sua cópia a partir de um Besançon do século XIX.

Sua “primeira edição” foi em 1751 através de Claude Burdel, contudo várias edições anteriores e posteriores ao modelo de Conver foram publicadas também em Fribourg e Neuchâtel, Suíça. Há vários modelos de Marseille, entre os mais famosos estão os Suíços ou tecnicamente chamado Besançon, mas existem outros bons modelos que foram criados por vários cartiers como Jean Dodal, Jean Payene, Jean Proche, Jacques Viéville e outros. Hoje o Tarô de Marseille assim como o Tarô Rider-Waite são os mais utilizados entre profissionais e amadores do Tarô.

DO TARÔ ILUMINISTA AOS TEMPOS MODERNOS

Do Iluminismo até os Tempos Modernos, os baralhos iniciaram uma nova fase de identificação via sua iconologia, sendo associados à Tradição Oculta através de estudos e pesquisas elaborados por grandes mentes da época. Segundo eles, havia uma necessidade de entendimento sobre o que as 78 lâminas significavam além de ser um ‘mero‘ corpo didático moral que era aprendido através da mnemônica ou dos jogos de cartas.

Contudo, um dos principais impulsionadores ao relacionar as lâminas com o antigo Egito, foi um pastor franco-suíço da Igreja Reformada e membro da Loja Maçônica Philalethes, Antoine Court Gebelin (1784). Existem especulações em torno de sua declaração, onde anuncia uma relação simbólica inseridos nas lâminas com a sabedoria Egípcia e que estas tiveram suas origens nas antigas dinastias. Ele revelou sua teoria – “fantasiosa ou não” – sobre o Tarô em 1781, baseado em um ensaio de autoria de outro estudioso chamado Louis-Raphaël-Lucrèce de Fayolle, mais conhecido como Comte de Mellet e que foi publicado por Gebelin em seu Le Monde Primitif. Mellet foi o primeiro pesquisador a relacionar os 22 Trunfos do Tarô com o alfabeto Hebraico. A partir da publicação de Gebelin do seu compêndio em 09 Volumes e o ensaio de Mellet, suas afirmativas mudaram a história do Tarô, e assim uma nova perspectiva surge a partir deste momento, e que influenciou toda uma geração de hermetistas no período Romântico.

Contemporâneo de Gebelin, Jean-Baptiste Alliette (1791), peruqueiro, professor de álgebra e pesquisador, acrescentou idéias bem pessoais através do seu conhecimento sobre a Qabalah e Pitagorismo em seu Maniére de se récréer avec lê jeu de Cartes nommées Tarot, mais tarde foi lançado o método prático de sua teoria em Le Grand Etteilla [2].

Ele foi o primeiro a denominar as 78 lâminas do Tarô como “Livro de Thoth”.

Houve uma incessante busca neste período sobre a simbologia oculta contida nas 78 lâminas de Hermes, e todos os estudiosos, ainda que cada um houvesse sua teoria e prática, inclusive com nomenclaturas próprias, tinham uma linha em comum, a importância da transmissão deste vasto conhecimento tarótico sob vertentes completamente diferentes de como o Tarô era considerado desde os seus primeiros registros até o século da Luzes, quando os fatos citados acima, advertiu sobre as ‘novas’ possibilidades que o Tarô poderia encerrar em sua simbologia sutil.

A partir destes eventos, surgem grandes mentes que se aprofundam com muito zelo na conhecida Ars Regia do Tarô, e assim nomes que influenciaram gerações até os dias atuais, como, Alphonse Louis Constant (1875) também conhecido como Eliphaz Levi Zahed, que herdou o conhecimento de Mellet e do alquimista do século XVI chamado Guilherme Postel. Eliphaz Levi reforçou a teoria de Mellet sobre a correspondência qabalística entre os 22 Arcanos Maiores com o alfabeto hebraico. Levi influenciou outros grandes pesquisadores e eruditos do tema, tais como, Marquês Marie Victor Stanislas de Guaita (1897), Dr. Gerard-Anaclet Vincent Encausse (1916) também conhecido como Papus, Sean Liddell MacGregor Mathers (1920), Arthur Edward Waite (1942), Oswald Wirth (1943), Alexander Edward Crowley (1947), ou Aleister Crowley nos círculos ocultos, Paul Foster Case (1954).

Devemos destacar dois Tarôs que são muito estudados e conhecidos hoje em dia, são eles: Tarô Rider-Waite cujo mentor foi Arthur Waite e teve a colaboração de Pamela Colman Smith (1951), artista, ilustradora e escritora que pintou as lâminas segundo a direção de Waite. Este foi publicado originalmente pela Rider Company em 1910. Hoje em dia existem várias fabricações deste Tarô.

O outro Tarô é conhecido como Tarô de Crowley/Harris criado pelo ocultista e erudito Aleister Crowley com ajuda da artista Lady Frieda Harris (1962). O tempo de sua feitura foi de cinco anos (1938-1943) e sua publicação original foi em 1944 inseridas no Livro de Thoth; como lâminas de Tarô, somente tiveram sua publicação no final dos anos 60. [3]

Outros Tarôs foram sendo idealizados segundo o entendimento de cada pesquisador, no entanto, muitos deles se distanciaram da concepção original no trato simbólico, mas que nivelam o modelo mercadológico que se baseia nos tempos atuais.

Notas:

[1] Alguns pesquisadores colocam como uma das origens do Tarot du Marseille , as lâminas dos baralhos Bolonheses cujo determinados traços evolveram para concepções artísticas que levaram tanto Claude Burdel como Nicholas Conver para a suposta criação do baralho mais conhecido hoje em dia.

[2] Alliette denominou seu baralho de cartas como Etteilla, ou seja, o palíndromo do seu próprio nome. O primeiro baralho de Etteilla foi publicado em 1789, o segundo, postumamente em 1826, chamado Grand Etteilla ou Tarots Egyptiens e o terceiro como o Grand Livre de Thot, em 1838, juntamente com um livreto, L’art de tirer les cartes atribuído a uma mulher chamada Julia Orsini, entre 1865 e 1870, foi publicado outro baralho, 78 Tarots Egyptiens – Grand jeu de I’Oracle dês Dames, e um outro mais recente com uma aura gótica, totalmente diferente do estilo original de Etteilla.

[3] Para maiores informações veja o artigo Tarô de Crowley-Harris ou Tarô de Thoth no website: www.clubedotaro.com.br

Bibliografia Indicada:

Anon.: Corpus Hermeticum e Discurso de Iniciação com a Tábua de Esmeralda. (Hermes Trismegistos). Hemus Livraria Editora Ltda: 1978. São Paulo.

Berti, Giordano, Andrea Vitali: Le carte di corti: I tarocchi, Gioco e Magia allá Corte degli Estensi. Nuova Alfa Editoriale: Ferrara. 1987. Itália.

Berti, Giordano, Marissa Chiesa, e Giuliano Crippa: Antichi Tarocchi Bolognese. Lo Scarabeo: Torino. 1995. Itália.

Berti, Giordano, Sofia Di Vincenso, e Maria Cjiesa: Antichi Tarocchi Illuminati: Sola Busca. Lo Scarabeo: Torino. 1995. Itália.

Burke-Sharman, Juliet e Liz Greene: O Tarô Mitológico, uma nova abordagem para a leitura do Tarô. Edições Siciliano: 1990. São Paulo.

Camargo, Pedro: Iniciação ao Tarô, Ediouro Publicações: 1992. São Paulo.

Constant, Alphonse Louis: A Chave dos Grandes Mistérios, conforme Enoque, Abraão, Hermes Trimegisto e Salomão. Emprêsa Editôra Pensamento: 1956. São Paulo.

_______________________: História da Magia, com uma exposição clara e precisa de seus processos, de seus ritos e de seus mistérios. Editora Pensamento S.A.: 1974. São Paulo.

_______________________: Dogma e Ritual da Alta magia. Editora Pensamento S.A.: 1974. São Paulo

Court de Gebelin, Antoine: Du Jeu Des Tarots (em Monde Primitif), Berg International Editeurs, Paris

Crowley, Aleister: The Book of Thoth (Egyptian Tarot) by Master Therion. Samuel Weiser, Inc.: 1969, rpt. 1996: Maine. Também traduzido em português como (O Livro de Thoth), Editora Madras Ltda e Anúbis Editores Ltda: 2000. São Paulo.

______________: The Crowley Tarot, the handbook to the cards by Aleister Crowley and Frieda Harris. Arranged and Foreword by Akron and Hajo Banzhaf. U.S.Games Systems, Inc.: 1995. Stamford. CT.

D’Allemagne, Henry René: Antique Playing-Cards. A Pictorial History. Dover Publications: 1996. New York.

Decker, R., e M. Dummet: A History of the Occult Tarot 1870-1970. Duckworth: 2002. London.

Depaulis, Thierry: The Paris Tarot. Editado com o Tarô de Paris. Societé lê Jeu de Marseille: 1984. Marseille.

Dicta e Françoise: Mitos e Tarô: A Viagem do Mago. Ed. Pensamento: 1990. São Paulo.

Dummet, Michael: The Game of Tarot from Ferrara to Salt Lake City. Duckworth: 1980. London.

_______________: Twelve Tarot Games. Duckworth: 1980. London

Dummet, Michael e K. Abu-Deeb: “Some Remarks on Mamlûk Playing Cards”. Journal of the Warburg and Courtauld Institutes, (number 36): 1973. London.

Guaita, Stanislas: No Umbral do Mistério, Martins Fontes Editora Ltda: 1985. Rio de Janeiro.

_____________: Templo de Satã I & II, Editora Três: 1971. São Paulo.

Hargraves, Catherine Perry: A History of Playing Cards. Dover: 1966. New York.

Huson, Paul: El Tarot Explicado (trad. do original The Devil’s Picturebook), Editorial Dedalo: 1988. Buenos Aires

___________: Mystical Origins of the Tarot. From Ancient Roots to Modern Usage. With ilustrations by the author. Destiny Books: 2004. Vermont.

Janeiro, J. Iglesias: La Cabala de Predicion, com los 78 arcanos de los tarots egípcios al final del texto. Editorial Kier S.A.: 1984. Buenos Aires.

Kaplan, Stuart R.: Tarô Clássico. Cartas vindas do passado revelam o futuro. Um guia definitivo e profissionalmente ilustrado do Tarô. Editora Pensamento Ltda: 1983. São Paulo.

______________: The Encyclopedia of Tarot. Volumes 1 [1978], 2 [1986] 3 [1990] e 4 [2005]. U.S. Games Systems. INC: New York e Stamford.

Knight, Gareth: Guia Practica Al Simbolismo Qabalistico. Volumes 1 e 2. Luis Cárcamo, Editor: 1981. Madrid.

Laycock, Donald: Skeptical – a Handbook of Pseudoscience and the Paranormal. Imagecraft: 1989. Canberra.

Lipiner, Elias: As Letras do Alfabeto na Criação do Mundo, contribuição à pesquisa da natureza da linguagem, Imago Editora: 1992. Rio de Janeiro.

Moakley, Gertrude: The Tarot Cards Painted by Bembo. New York Public Library: 1966. New York.

Olsen, Christina: The Art of Tarot. Abbeville Press: 1995. New York.

Ouspensk, P.D.: A New Model of the Universe, Arkana Penguin Group, 1984, London.

____________: Um Novo Modelo do Universo – Princípios do método psicológico aplicado aos problemas da Ciência, da Religião e da Arte. Editora Pensamento, 1ª Edição: 1987. São Paulo.

Papus: El Tarot De Los Bohemios. Clave absoluta de la Ciencia oculta. Editorial Kier, S.A.: 1970. Buenos Aires.

Petrarca, Francesco: The Triumphs of Francesco Petrarch, Florentine Poet Laureate. Traduzido por Henry Boyd, com um introdução de Guido Biagi. The University Press: 1906. London e Cambridge.

Place, Robert M.: The Tarot: History, Symbolism, and Divination. Tarcher/Penguin: 2005. New York.

Pramad, Veet: Curso de Tarô e seu uso terapêutico. 1ª Edição, publicação do autor: 1992. 2ª Edição, publicação pela Madras Editora Ltda: 2003. São Paulo.

Sadhu, Mouni: O Tarô, manual prático de ocultismo. Editora Siciliano: 1993. São Paulo.

Santos, Mario Ferreira dos: Tratado de Simbólica. Volume IV. (Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais). Livraria e Editôra LOGOS Ltda, 4a Edição: 1963. São Paulo.

Shah, Idries: Os Sufis. Editora Cultrix: 1993. São Paulo.

Various: Spiritual Tarot. Quill/HarperCollins: 2003.

Vitali, Andrea e Zanetti, Terri: I Tarocchi. Storia Arte Magia dal XV al XX secolo. Edizioni LE TAROT: 2006. Ravenna.

Waite, Arthur E.: The Pictorial Key to the Tarot. Being Fragments of a Secret Tradition Under the Veil of Divination. With 78 plates, Illustrating the Greater and Lesser Arcana, from Designs by Pamela Colman Smith. Introduction by Paul M. Allen. Rudolf Steiner Publications: 1971. New York. The Pictorial Key to the Tarot, US Games Inc: 1990. Stamford

______________: Tarô. A Sorte Pelas Cartas. Constando de fragmentos de Uma Tradição Secreta Sob o Véu da Advinhação. Com 78 gravuras ilustrando os Grandes e Pequenos Arcanos. Editora Tecnoprint S.A.: 1985. São Paulo.



Este texto foi composto em parceria com a Trionfi.com

O trecho intitulado “O INÍCIO DOS BARALHOS DE TARÔ” foi traduzido do original de Lothar, com a devida permissão.

©Tradução de Cláudio Carvalho – 2008

TECHNU® – Órgão de divulgação da Ciência Tarótica

SOCIEDADE LAMATRONIKA® - Todos os direitos reservados.

Sábado, 15 de Dezembro de 2007

O USO TERAPÊUTICO DO TARÔ

Adivinhação e autoconhecimento duas visões excludentes

Atualmente o Tarô é usado a partir de duas visões radicalmente diferentes e excludentes que são a adivinhatória ou futurológica e a de autoconhecimento. Enquanto o Tarô adivinhatório pretende conhecer o futuro, o Tarô de autoconhecimento procura a transformação do ser humano. O Tarô adivinhatório pretende conhecer fatos, o Tarô de autoconhecimento pretende compreender os fatos conhecidos. Existem diferentes modalidades de Tarô de autoconhecimento. Cabe destacar a linha Junguiana, a psicomagia de Jodorowsky, a do Enrique Ezquenazi. A minha que a partir de 1987 chamo de Tarô Terapêutico tem como objetivo sintonizar o indivíduo com a sua essência e identificar e ajudar a resolver bloqueios, medos e padrões de comportamento que dificultam sua realização plena. Para o Tarô Terapêutico o centro não está nos fatos e circunstâncias, mas no indivíduo que as vive.

O Tarô Terapêutico parte de 5 princípios:
1 – Nossas vidas não são o produto das circunstâncias, mas de nossas decisões, somos plenamente responsáveis pela vida que temos.

2 – Tomamos nossas decisões a partir de nossas crenças e padrões de comportamento nelas enraizados; construímos nossa vida a partir de nossas crenças.

3 – Os principais obstáculos para atingir a realização em qualquer aspecto da vida somos nós mesmos, isto é, nossas resistências a mudar as crenças e padrões de comportamento que não funcionam.

4 – Atraímos o que precisamos para crescer e não nossos caprichos mentais.

5 – Cada um de nós leva dentro de si mesmo os potenciais necessários para se realizar em todos os aspectos e ser feliz.

A felicidade e a fortuna são questões de escolha e não de sorte. Osho

A visão adivinhatória e a de autoconhecimento discrepam em três questões fundamentais que devem ficar bem claras:

1 – A Questão do Destino:
Para quem faz futurologia, o Tarô é um intermediário entre o Todo-Poderoso destino e os simples mortais. Assim estes são reduzidos a espectadores de suas próprias vidas.
Para o Tarô terapêutico somos os cozinheiros de nosso destino, continuamente o estamos criando a partir de nossas escolhas e em qualquer momento podemos mudá-lo. Futuro e destino são a resposta do universo aos nossos atos, omissões e pensamentos, como a força física de ação e reação que no Oriente é conhecida como Lei do Karma. É claro que nossa capacidade de transformar nossas vidas, isto é, de criar nosso futuro segundo nossos desejos será proporcional a nossa consciência. O Tarô bem usado é uma ferramenta para mudar o destino, pois nos ajuda a tomar consciência do que realmente está atrapalhando nossa realização e mostra que atitudes são necessárias para liberar-nos.

2 – A Questão da Responsabilidade:
Para o Tarô adivinhatório o ser humano é um perfeito irresponsável. Que responsabilidade pode ter alguém cuja vida está amarrada ao destino, até o ponto de poder conhecer seu futuro? Liberdade e responsabilidade caminham juntas. Se insistirmos em mostrar para nossos consulentes que suas vidas são o produto de estranhas e imprevisíveis forças como sorte, azar, vontade divina, quando não de trabalhos de magia onde intervêm entidades não encarnadas, estamos degradando seres humanos para a categoria de escravos que nunca poderão se libertar por si mesmos. E então chegam os salvadores...
Segundo a visão terapêutica somos totalmente responsáveis pela vida que levamos. Parar de colocar a responsabilidade (ou a culpa) de nossa situação nos outros, no companheiro/a, nos pais, no chefe, no governo, no destino... é o primeiro passo para mudar. A felicidade e a fortuna são questões de escolha e não de sorte.

3 – A Questão do Bem e do Mal:
O bem e o mal não são verdades absolutas. O que é bom para uma pessoa hoje pode não sê-lo amanhã. O que é bom para mim, pode não sê-lo para você. Quem pretende ajudar a curar a alma não pode trabalhar com verdades absolutas ou doutrinas, pois não existem doenças e sim doentes. No entanto considerar que existe um aspecto nosso particularmente íntimo que não foi atingido pelas manipulações e chantagens da programação familiar, onde repousa a essência do ser humano, o Ser Superior ou Supra Consciência, pode nos ajudar muito no nosso trabalho. Estas considerações são alheias ao Tarô adivinhatório que geralmente toma emprestados seus conceitos de bem e mal das religiões oficiais, doutrinando ainda mais a seus consultantes e dificultando que eles sejam eles mesmos.

No jogo de Tarô temos três grupos de cartas:
- Os Arcanos Maiores são Arquétipos ou Idéias Universais presentes no inconsciente coletivo que mudam com a evolução da humanidade. Representam também estados de consciência e suas manifestações práticas que vão da potencialidade absoluta do Louco até a realização plena do Universo.
- As Figuras da Corte ou cartas da Realeza deixam de ser pessoas, homens e mulheres com determinadas características físicas ou psíquicas que vão aparecer ou desaparecer, trazendo alegrias ou desgraças, para virar 16 tipos de personalidade que dependendo da posição na qual aparecem indicam máscaras ou atitudes a serem tomadas.
- Os 40 Arcanos Menores são expressões de nossa vida quotidiana em quatro aspectos: Os de Paus (Bastões) ou do Fogo mostram como o consulente expressa sua energia, abrangendo fundamentalmente o mundo profissional sem deixar de olhar também para as manifestações instintivas. Os de Copas ou da Água mostram nosso estado emocional. Os de Espadas ou do Ar indicam como está nossa mente e quais são seus mecanismos mais habituais. Finalmente os de Discos (Pentáculos, Ouros ou Moedas) ou da Terra, falam de nossa relação com nosso corpo físico e com o mundo material em geral.
Observem como acabamos de estabelecer um paralelismo exato entre a estrutura do Tarô e a do ser humano que facilita a entrada em profundidade nos cantos obscuros da psique.

Ilustração I, 01. Estrutura Tarô e ser humano


Os velhos sistemas de leitura tipo: Presente, Passado e Futuro não servem mais se queremos colocar o centro da questão na autotransformação do ser: Nos padrões de comportamento, sistemas de crenças, bloqueios e medos que precisam ser dissolvidos e nas atitudes a ser tomadas.
Assim desenvolvi em 1987 a Leitura Terapêutica a partir da tradicional Cruz Celta, sistema baseado numa disposição de dez cartas (Ilustração I, 02) sendo que o número inscrito em cada carta indica em que ordem a carta foi extraída do baralho. A imagem da leitura continua sendo a céltica, mas os significados são outros.
Vejamos quais são estas dez posições:

1 e 2 - Momento atual
3 - Resultado interno
4 - Âncora
5 - Método
6 - Caminho de crescimento
7 - Necessidade Essencial ou Interna
8 - Relacionamentos
9 - Infância
10 - Resultado externo

Ilustração I, 02. Leitura Terapêutica


Uma sessão de Tarô Terapêutico não é algo muito diferente de uma consulta com um profissional da saúde. Em primeiro lugar não o visitamos porque sentimos curiosidade nem porque pretendemos conhecermos melhor. Mais, porque estamos doentes, porque alguma coisa nos incomoda ou nos impede de realizar nossos objetivos.
Não ficamos satisfeitos com uma receita de um analgésico para nossa dor de cabeça nem com a promessa de nos sentirmos melhor tomando tal remédio. Queremos em primeiro lugar que nosso médico avalie nossos sintomas, talvez descubra algum outro que nos tinha passado inadvertido e identifique a doença. Do mesmo jeito no Tarô Terapêutico, as cartas do Momento Atual, que mostram as dificuldades pelas que estamos passando, são os sintomas de uma doença formada por um conjunto de padrões de conduta programada, que podemos chamar de máscara ou script, denunciada pelas cartas da posição da Âncora.
Em segundo lugar queremos saber as causas de nossa doença e que devemos fazer para uma vez curados não voltar a ficar doentes. Para isso o curador quer conhecer nossos hábitos alimentares, se gostamos de nosso trabalho, se fazemos exercício, se estamos passando raiva em casa ou no trabalho, se nossas expectativas de realização pessoal estão se materializando, se vivemos um forte conflito emocional, etc. Nossa dor de cabeça que sentimos pela manhã pode ser o sinal de alarme de um fígado intoxicado por altas taxas de gordura e de raiva. Talvez estejamos compensando nossas insatisfações profissionais e familiares com os prazeres da mesa. Precisamos limpar o fígado, nos alimentarmos melhor e parar de acumular raiva. Tudo bem, mais tampouco ficamos satisfeitos. Precisamos descobrir as causas profundas que nos levam a aceitar situações com as quais não concordamos no fundo. Se não vamos até as raízes mais profundas do assunto, mudaremos, talvez, de compensações e sintomas mais continuaremos insatisfeitos e doentes.
No Tarô Terapêutico temos as cartas da posição da Infância, que mostram as origens inconscientes da Âncora, as causas profundas que nos levam à doença. Aqui tomamos consciência dos traços de personalidade adquiridos para obter certa aprovação familiar fundamental para a sobrevivência psíquica da criança.
Insisto em afirmar que nossas dificuldades e doenças não procedem de agentes externos, mas estão dentro e bem dentro de nós. Estes agentes externos — vírus, germens, chefe chato, corrupção, FMI, marido ou esposa que infernizam nossa vida —, podem agir no momento em que o permitimos seja abaixando nossas defesas biológicas ou desvalorizando-nos.
O Tarô Adivinhatório geralmente coloca as causas de nossos problemas no mundo externo. Procura saber se nosso companheiro/a nos está traindo, se o sócio está roubando, se alguém jogou um mau-olhado em nossa loja. As soluções também são externas. Vai aparecer o homem/mulher de minha vida? Vou me casar com Fulano? Minha empresa ou meu namoro vão dar certo? Vou ganhar na loto?
Nesta coincidência em colocar as causas dos problemas/doenças e suas soluções fora de nós e desligadas de nossos padrões de comportamento, sistemas de crenças e conflitos emocionais, se parecem muito a visão futurológica do Tarô e as consultas de hospital:
— Doutor, tenho tais e tais sintomas, dói aqui e acolá. — Muito bem, você vai tomar este analgésico para a dor, este antibiótico para acabar com o vírus ou bactéria que está causando a enfermidade e este antiinflamatório. Assim você vai ficar bom numa semana e vai poder voltar a trabalhar e a fazer sua vida “normal”.
Uma vez que compreendemos o conflito interno, que temos um diagnóstico chega a hora da ação, de aplicar o remédio. Não basta saber, o fazer, “a praxis” é insubstituível. Precisamos de um método de trabalho que mude nossa vida. O doutor se preocupará prioritariamente em cortar estas raízes, sugerindo atitudes, iniciativas e remédios que nos levem a recuperar a saúde. No Tarô Terapêutico temos aqui as cartas da posição do Método.
O profissional sabe muito bem que o organismo é um sistema auto-integrado que procura o equilíbrio continuamente, tendo seus próprios caminhos para o retorno à saúde. É mais correto, então, falar em ajudar o corpo a recuperar-se. Muitas vezes estes caminhos são confundidos com os sintomas da doença e eliminados. Um exemplo é certo tipo de gripe infantil que na verdade é um processo de desintoxicação. Perdem o apetite, isto é, o organismo se recusa a ingerir mais toxinas; sobe a temperatura para favorecer a eliminação e o nariz se enche de catarro. Muitas vezes as mães obrigam às crianças a comer ou pelo menos a tomar um copinho de leite enquanto aplicam antipiréticos e antibióticos. No Tarô Terapêutico, a tendência que o ser tem de recuperar sua saúde é expressa nas cartas da posição da Necessidade interna ou demanda da Essência.
Quando compreendemos o conflito interno, suas origens e manifestações, quando temos um diagnóstico, chega o momento da ação. Precisamos de um método de trabalho que mude nossas vidas. O doutor sugerirá atitudes, iniciativas e remédios que nos levem a recuperar a saúde. No Tarô Terapêutico temos as cartas da posição do Método.
Também queremos saber como vamos evoluir durante o tratamento, isto é, como vai ser nosso caminho de recuperação e que atitudes deveremos tomar para atingir os resultados esperados. Tudo isso é mostrado pelas cartas do Caminho de Crescimento e dos Resultados Externo e Interno.

Resumo:

Tarô Terapêutico
Conflitos
Âncora
Infância
Método
Caminho de Crescimento e Resultados

Médico
Sintomas
Doença
Origens da doença
Receita
Evolução do quadro


É claro que podemos dispor várias cartas para cada posição, formando assim um mapa do processo que o indivíduo está vivenciando, dando as orientações precisas para que dê uma bela guinada na vida.


Veet Pramad – 2007©
TECHNU® – Órgão de divulgação da Ciência Tarótica
SOCIEDADE LAMATRONIKA® - Todos os direitos reservados.

Sábado, 27 de Outubro de 2007

CARTA 0: O LOUCO

Estultice, segundo a opinião comum, significa a arte de representar sem razão. Cesare Ripa tem isto a dizer em sua “Iconologia” de 1603: "Non è altro l'esser pazzo, secondo il nostro modo di parlare, che far le cose senza decoro, e fuor dal comune uso de gli huomini per privationi di discorso senza ragione verisimile o stimolo di Religione" (“Sendo mal, segundo nossa forma de falar, nada significa senão fazer coisas sem dignidade, e fora do uso comum dos homens, devido a carência de discurso sem razão plausível ou estímulo da Religião”). No Evangelho, aquele que não acredita é considerado um tolo, e freqüentemente figuras de tolos aparecem em Bíblias dos Séculos 15 e 16, ilustrando o Salmo 52 “O tolo tem dito em seu coração, Não há Deus!” Em uma Bíblia do Século 16, eu encontrei a mesma pintura do tolo como no minchiate Florentino (Figura. 1): um homem vestido em trapos, com penas fixadas em seus cabelos, que caminha transportando uma vara; em sua mão, ele segura um molinete, e crianças aparecem entorno dele (Figura 2). Ripa, novamente, fornece uma idêntica descrição: “Um homem adulto estará rindo, e transportando um junco; em sua mão direita, ele segurará um molinete de papel, um agradável instrumento e um divertimento para crianças, que tomam grande cuidado em fazê-lo girar no vento”.

O mesmo autor nos diz que "reputandosi saviezza nella città ad un huomo di età matura trattare de reggimenti della famiglia e della Repubblica, Pazzia si dirà ragionevolmente alienarsi da queste attioni, per esercitare giuochi puerili e di nessun momento" (“Na cidade, é levado a obter sabedoria por um homem maduro a se engajar em assuntos de família e da República, conseqüentemente será razoável chamá-lo de Tolo por abster-se dessas ações, a fim de brincar com jogos infantis, sem importância”). O sorriso do tolo, que encontramos na carta do assim chamado Tarô de Charles VI e naquele de Ercole I d’Este, é "facilmente indicio di pazzia, secondo il detto di Salomone; però si vede che gli uomini reputati savii poco ridono e Christo N.S. che fu la vera saviezza, e sapienza, non si legge, chi ridesse giammai" (“facilmente indício de tolice, segundo as palavras de Salomão; todavia, alguém pode ver que os homens considerados sábios raramente sorriem, e de Nosso Senhor Cristo, que era verdadeira sabedoria e conhecimento, jamais lemos que ele sorriu”). Uma estampa a água-forte do Século 16 apresenta um tolo sorrindo diante de um anjo, que cobre seus olhos com suas mãos a fim de não ver uma ação irracional (Figura 3).
Na carta iluminada dos Tarôs Visconti-Sforza, o tolo carrega penas em sua cabeça e uma vara em seu ombro (Figura 4). Uma figura similar foi pintada por Giotto na Capela Scrovegni em Pádua, como uma imagem de "Stultitia" (“Insensatez”) (Figura 5). Neste fresco, o tolo leva entre seus lábios um objeto que encontramos nesta alegoria que é incrementado pela presença de penas na cabeça do personagem. Devemos antes de tudo considerar que nos tempos antigos, asas, penas e plumagem eram usadas como símbolos de velocidade. Cartari em seu trabalho "Imagini de gli Dei de gl'Antichi" (“Imagens dos Deuses dos Antigos”) de 1647 repetidamente menciona os atributos do Sol-Apolo. Estes incluem asas e penas, significando a velocidade da perspicácia de Apolo, e da trilha seguida pelo Sol. Considerando a plumagem da cabeça de Mercúrio, os autores dizem isso “Foram dados penas a Mercúrio, porque, quando se fala – que ele era o Deus – suas palavras costumavam voar através do ar, como se tivessem asas. Isso é porque Homero sempre falava das palavras como rápidas, aladas e emplumadas”. Sebastian Brant em seu “Der Narrenschiff” (O Barco dos Tolos) de 1494 no soneto LVII “A Divina Providência”, tem isso a dizer sobre tolos presunçosos “Alguém pode mesmo encontrar tolos que clamem dourar suas penas acolchoadas com palavras, e se acreditam sábios...”. As penas da cabeça do tolo representam assim os muitos elementos que o tolo está carecendo, que é a velocidade e intelecto, além de palavras adequadas. De fato, o cadeado selando a boca do tolo, como pintado por Giotto, leva esta função, visto que o tolo por outro lado não falaria apenas palavras insensatas, como descritas nas palavras da Bíblia, “As palavras da boca de um sábio são graciosas; mas os lábios de um tolo o engolfará. O início das palavras de sua boca é insensatez; e o final de sua fala é loucura travessa” (Eclesiástico 10:12, 13).

Uma versão virtualmente idêntica àquela do tolo da carta Visconti-Sforza foi descoberta recentemente. Este é um modelo copiado a partir do original anterior, também datando por volta de Século 15, derivado do mesmo maço de Trionfi do qual já conhecemos as cartas do Sol, do Valete de Espadas e dos Amantes da coleção de Amadeo Cocchi. (As duas cartas da mesma coleção, que é o Cinco de Pantáculos e o Dois de Copas são de uma data ligeiramente posterior, e pertence a um outro maço). Nos tarôs Ercole I d’Estes, o tolo aparece quase despido.

Concernente a isso, Ripa escreve que "La Stoltizia si dipinge ignuda perché il pazzo palesa i suoi difetti ad ognuno, senza vergogna" (“A Estultícia é pintada despida, porque o tolo apresenta seus defeitos a todos, sem qualquer vergonha”). Nos chamados Tarôs de Charles VI, o tolo veste uma capa com enormes orelhas de asno, apresentando assim sua natureza bestial, e usa na roupa debaixo um design incrivelmente moderno (Figura 6). A imagem é muito parecida com a de um tolo apresentado em um códice de Bolonha datando por volta da segunda metade do século 15 (Figura 7) carregando o costumeiro junco, mas de uma forma onde parece atravessar a palma de sua mão (uma relação alegórica com a o estigma do Nosso Senhor) como pode ser visto, em uma forma mais clara, em xilografia no trabalho mencionado acima, por Brant. A presença de um junco, que tem a mesma função como a vara, é justificada nesta forma “Ele que deseja se divertir sem limites terá senão um suporte de um frágil junco” (Soneto LVII).

Uma variante iconográfica concerne à representação do Tolo a ser encontrada nos chamados Tarôs de Mantengna onde um cão ataca as coxas de um indigente (Figura 8). Essa tipologia permanecerá fixa por toda produção posterior de Tarôs. Uma espécie de carga também aparecerá no topo da vara, sustentado contra um ombro. A presença de um cão, próximo a um viajante indigente, é típica na arte Medieval, e provê um toque de realismo, visto que este animal latiria e freqüentemente atacaria vagabundos que se aproximassem das casas a fim de mendigar por caridade.

Um bem conhecido exemplo pode ser encontrado na representação do “Filho Pródigo” (Figura 9) e do “Caminho de Vida” em “Haycart Triptych” de Bosch. Considerando isso, existe uma interessantíssima estampa a água forte do Século XV por Israel van Meckenem (Figura 10). O simbolismo diabólico associado com instrumentos de sopro – flauta e gaita de foles, contrastando com os instrumentos de cordas “celestiais” – apresenta a qualidade negativa da estampa a água forte. Por outro lado, a presença do cão relaciona o bobo da corte com o indigente, fazendo assim uma ponte entre as duas variantes iconográficas.

Devemos considerar agora um outro aspecto do tolo, desta vez associada com sua mística e visão sagrada. A Carta aos Coríntios estava muito em voga durante a Renascença. Algumas de suas palavras refletem a relação que existe entre Tolo e o Divino: “Pois a palavra da cruz é para aqueles que perecem tolamente” (I, 1, 18); “Que nenhum homem decida por si mesmo. Se qualquer homem pensa que é sábio entre vocês neste mundo, que se torne um estulto, para que ele possa se tornar sábio. Pois a sabedoria deste mundo é loucura com Deus.” (I, 3, 18-19). E é somente pela desistência dos bens materiais que o homem pode alcançar Deus, segundo o pensamento Cristão. O tolo, porque possui esta prerrogativa, foi as vezes visto como alguém inspirado, apenas a um passo do Divino. E é sempre Brant que satiriza sobre a vã glória dos tolos: “Eles acreditam que Deus os tem beneficiado, e tem deixado a eles Sua dádiva para sempre”. (Soneto LVII).
Concernente a divina natureza do tolo em relação aos tarôs, existe um manuscrito de sabedoria intelectual e moral de um autor anônimo do Século 16, que descobri na Estense Library de Modena e mais tarde submetido a atenção de Pietro Marsilli. A fim de conquistar o calor de uma senhora na corte, uma certa Mamma Riminaldi, o autor anônimo não encontrou nenhum remédio melhor do que tirar uma carta do maço de Tarôs, o tolo “que é o cérebro divino”. Isso é porque a mais antiga lista conhecida de Tarôs, os “Sermones de ludo cum aliis”, coloca “El matto” (“O louco”) próximo ao “El mondo” (“O mundo”), que é o Deus Pai.

Imagens do Texto:

Figura 1.

Figura 2.
Figura 3.

Figura 4.

Figura 5.
Figura 6.
Figura 7.
Figura 8.

Figura 9.


Andrea Vitali
- 2004©
Tradução de Cláudio Carvalho, 2007©
TECHNU® – Órgão de divulgação da Ciência Tarótica
SOCIEDADE LAMATRONIKA® - Todos os direitos reservados.

Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

A.O. SPARE E O TARÔ

A.O. Spare tinha uma perspectiva única sobre Cartomancia e Tarô, incluindo a intrigante idéia do desenvolvimento de diferentes baralhos segundo o uso e aplicação. Enquanto a narrativa abaixo lida com jogos de cartas comuns, não há razão o porque das técnicas discutidas não possam ser usadas para Tarô. Spare é enfático sobre a importância do estado da mente durante a leitura, e compreendendo as combinações das cartas mais do que as cartas individualmente. Esta é uma coisa que tem sido negligenciada no Tarô, para nosso detrimento por bastante tempo. Uma vez que Spare foi um membro da Golden Dawn é razoável acreditar que ele foi exposto ao Tarô, particularmente o Tarô difundido e usado pela Ordem. Spare foi um dos maiores Ocultistas do século, e finalmente ele está recebendo o reconhecimento que ele merece com razão. Duas Fórmulas sobre Tarô são incluídas dentro de nove fórmulas em seu Zoetic Grimoire of Zos, uma indicação de importância que Spare colocou na advinhação. ‘Zos Speaks! Encounters with Austin Osman Spare’ é um livro fascinante. A primeira parte das crônicas das cartas entre AOS e Kenneth and Steffi Grant. Aparte dos insights ocultistas é fascinante ver uma fatia da vida Londrina entre 1949 e 1956. Spare se divertiu na companhia de proletários nos pubs, e ele era bem familiarizado com as prostitutas da área como está claro nas cartas e nos registros do seu diário. As lâminas em preto e branco, e a cores dão justiça ao extraordinário talento para retratar reinos mágickos. A segunda parte do livro é a Logomachy of Zos, do qual apresento uma pequena parte. Compre o livro! Zos Speaks! Encounters with Austin Osman Spare.

Quinta Fórmula: Da Previsão pelas Cartas (Vaticinado pelos Familiares) profetiza o futuro pelas cartas ou outros meios. O que é de conseqüência, e portentoso, é o ‘estado da mente’ que é induzido no consulente pelo método e explicações categóricas dadas a ele: existe uma auto-sugestão indireta ou transposta. Qualquer coisa assim distraindo o subconsciente familiar deve reformular e re-sugerir a ele mesmo com compromisso a um evento posterior e similar. Outrossim, os dardos trespassados do feiticeiro através da aura protetora pela afirmação se tornam indireta sugestão como a do próprio consulente. Paradoxalmente, o modo mais rápido de suscetibilidade é pela recusa como descrença. Cartas podem ser usadas pela formulação da vontade, encantamentos, numerologia matemática, previsão de cartas. Fui ensinado ainda muito cedo na vida pela maior Bruxa dos anos recentes [Senhora Patterson]. Aqui está uma sinopse tosca de minha fórmula baseada sobre o que eu me lembro dela. Primeiro eu necessito de uma certa condição: Silêncio, e luz apenas o suficiente para o trabalho. Fecho meus olhos quando embaralho e sempre faço assim antes de entregar as cartas para o consulente embaralhar. Para começar, utilizo o jogo de cartas comum, mas logo encontro o expediente e de maior serviço para fazer meu próprio baralho, usando dezesseis cartas. Dividido como geralmente se faz em quatro naipes, as cartas da Corte representam a pessoa. Os naipes diferentes representam os fatores comuns da vida, i.e., trabalho, relações sociais, objetos, eventos, e qualidades emocionais, etc., nenhuma carta individual tem em si-mesma muita significância. Estou dando somente princípios gerais; não irei repetir o que pode ser ajuntado a partir do resumo de livros sobre o assunto. Eventos e tudo mais são dados importância, em grau, por combinações simples ou mais complexas de cartas similares ou relacionadas. Ilustração: O dois de Espadas significa simplesmente ‘leve indisposição’, o nove de Espadas significa ‘incômodo’ ou ‘dor’; o dez de Espadas significa ‘aflição’. Assim, as cartas nesta ordem significam ‘doença séria’. Se a carta representando o consulente estiver lá, significa sua própria doença, e com a carta representando ‘fatalidade’ para o bem ou mal (invertida ou de outro modo), poderia significar morte. Uma diferente organização ou seqüência das mesmas cartas daria um equivalente diferente, significado estendido, ou definição. Assim, o dois de Espadas isolado das cartas similares poderia significar ‘doença sem importância’, ‘covardia’, ou ‘relutância’ e etc., dependendo das outras cartas que ‘caiam’ contra. As cartas não deveriam ser bastante ambíguas e se tornariam definidas e diferentes pela combinação. Essa é inicialmente a informação suficiente para a criação dos ‘significados’ das cartas, a única dificuldade é dar significado apropriado para cartas individuais assim como ter um completo vocabulário eficiente em cobrir todas as exigências. Inicie com o que você pode gerir e reconstruir pela constante adição e retificação. Combinações são inúmeras – sempre faça-las racionalmente. Quanto mais raro o evento, maior número de cartas necessárias para a combinação. Isto leva meses de trabalho para criar um baralho realmente racional. Inicie com um jogo de cartas escrevendo suas interpretações nelas. Depois, faça seu próprio baralho e desenhe seus próprios símbolos – formas geométricas servirão. Seja original – isto confere os melhores resultados. Minhas quatro cartas às mencionei acima:


Métodos de deitar as cartas são numerosos. O melhor para adivinhação geral, é serpentino: [veja imagem] lendo da esquerda para direita em fileira de nove cartas. Sinopse: Faço um pequeno horóscopo deitando onze fileiras de cinco cartas, fileiras relacionadas a: Casa, Amor, Self, etc., - todas as quatro fileiras sendo relativas umas com as outras... (uma ou duas palavras ilegíveis aqui)... e respondendo o que desejar.As cinco cartas restantes indicam o evento imediato. Faça suas próprias regras e as mantenha, consistência neste caso é uma grande virtude. É possível prever qualquer coisa, mas baralhos especiais com seus significados especiais tende ser feitos, uma tarefa difícil e laboriosa. 5ª Fórmula Alternativa: Técnica de Cartomancia. Primeiro obtenha um bom livro sobre ‘cartomancia’. Isso dará a você uma idéia geral para a feitura de um baralho apropriado para seus próprios propósitos. Procure um baralho de jogos de cartas comum, e marque-as, topo e base (cartas têm uma inversão). Conte com o ‘livro’ somente para direção geral e método – os remanescentes de uma arte tradicional e perdida. Você deveria desenvolver seus próprios significados, símbolos e métodos. Isto é vital. Aqui estão os pontos proeminentes a notar: Cartas individuais são indicadores, não eventos – no mínimo, coisas sem importância, e assim façamos cartas separadas significarem pequenas coisas comuns – emoções e abstrações (amor, ódio, medo, etc.); ‘pessoas’ são indicadas por Reis e Rainhas, e ‘crianças’ por dois Valetes. Os diferentes naipes simbolizam as diferentes espécies de eventos ou emoções, etc. Assim, Espadas relacionam-se a enfermidade, luto, morte, desapontamento, medo, rancor. Corações indicam amor, casamento, amizade, felicidade, generosidade. Ouros indicam dinheiro, sucesso, fama, honra. Você encontrará cinqüenta e duas cartas mais do que adequada para ocultar os pequenos significados. Existe um número de significados que não caem sob qualquer naipe em particular, tais como ‘célere’, ‘acidental’, ‘legal’, etc.; estes deveriam ser colocados em qualquer naipe onde for propício. Colocar significados similares em uma carta, tais como ‘conclusão’ e ‘morte’. A inversão de uma carta significa o mesmo senão mais intensamente ou extensivamente. Assim: ‘doença sem importância’, invertida, significaria ‘doença real’. Também, uma carta especial é feita para intensificar qualquer carta que caia contra, invertida ela significa ‘contínua’ ou ‘regular’. É a combinação de certas cartas que indica os significados dos eventos e episódios da vida mais importantes. Por exemplo: uma combinação de Espadas – ‘Nove’, ‘Dez’, e ‘Ás’ – quando assim intimamente justaposto significaria morte muito próxima e, em combinação com cartas indicando ‘acidente’, ‘enfermidade’, ‘ódio’, significaria morte por acidente, enfermidade, assassinato ou suicídio, e assim por diante abrangendo cada evento possível. As computações matemáticas de cinqüenta e duas cartas são quase ilimitadas. Escreva seus significados e as principais combinações das cartas, e quando você as tiver memorizado totalmente mude-as em símbolos – mesmo se sua imaginação não puder sugerir mais do que sinais geométricos. Esta mudança para símbolos é muito importante. Para salvar da sobrecarga nas cartas com escrito ou símbolos, escreva abaixo uma lista de combinações mais raras e seus significados. Estude (dos livros sobre cartomancia) os diferentes métodos de deitada das cartas para leitura; por último você desenvolverá o método que ajude mais você. Meu método é simplesmente deitá-las em um alinhamento (ou quatro alinhamentos de treze cartas) e lê-las da esquerda para direita, mas isto é difícil e somente adeptos têm sucesso [Isso pode ser uma referência a GD Four Pile Spread PHB]. Esse é meu processo: Primeiro o operador deve embaralhar as cartas enquanto olha nos olhos do consulente. O baralho é então passado para o consulente com um pedido para embaralhar as cartas enquanto pensa sobre o tudo o que ele deseja saber. Então deito as cartas e leio, observação especial sendo feita de justaposições de combinações. Quando juntas isso significa que o mesmo ocorrerá em breve. Todavia existem combinações que você sempre encontrará alguns dos significados únicos e confusos, e é aí onde a real habilidade do operador entra. A solução do(s) problema(s) será encontrada muito mais interessante do que quaisquer palavras-cruzada e quebra-cabeças. Métodos imaginativos ajudam. Uma simples ilustração:Uma carta significa ‘medo’ e a outra ‘honra’. Isso poderia ser lido como interpretação de que a pessoa em questão é ‘fraca’, mas tem a habilidade necessária, contra ‘o que ele teme por sua honra’ – caso não esteja implicado por outros fatores. Lembre-se, existe uma interpretação racional e verdadeira se você puder encontrá-la. Se você acredita no assunto ou não, isto deveria ser examinado como você se aproximaria de qualquer outra Arte ou Ciência – com uma mente aberta. Quanto a atitude do consulente, sua crença é imaterial, mas ele deveria estar disposto em não ser prejudicado; qualquer gracejo é fatal. Posso assegurar – julgando pelos resultados de outros que tenham usado este método – que qualquer pessoa de inteligência normal que segue cuidadosamente essas sugestões e que usa sua imaginação, com prática suficiente, estará apto a prever corretamente eventos futuros. Não espere resultados muito cedo. Eu não tenho feito somente o temperamento de pessoas corretamente descrito, senão, mesmo suas marcas físicas ocultadas. Educação tem pouco haver com esta faculdade. Conclusão: Deveria levar seis meses para criar um baralho de cartas satisfatório, e uns outros seis meses para ganhar a necessária facilidade pela prática.Não há limite para o que pode ser previsto, usando baralhos especiais. Finalmente, cientistas jamais aprovarão ou desaprovarão qualquer coisa relacionada a “prever o futuro”; esta é uma obra para grandes artistas. Conseqüentemente a ciência poderá confirmar de uma forma mais completa o que os artistas já tem descoberto. Note bem: todas as indicações essenciais para o Conhecimento Psíquico necessário para o desenvolvimento desta especializada habilidade são dadas em The Logomachy. Austin Osman Spare encontrou Aleister Crowley inúmeras ocasiões.

Extraído de: ‘Zos Speaks! Encounters with Austin Osman Spare’ publicado pela Fulgur Limited, 1998, ISBN 0 9531019 0 6


Tradução de Cláudio Carvalho, 2007©
TECHNU® – Órgão de divulgação da Ciência Tarótica
SOCIEDADE LAMATRONIKA® - Todos os direitos reservados.

Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

O RESGATE DA ARITHMOLOGIA

ARITHMOGNOSE TERAPÊUTICA - UM SISTEMA PARA O AUTOCONHECIMENTO

Todas as culturas e Tradições da Antiguidade consideravam suas palavras como manifestações de forças sutis. Pithágoras, um dos herdeiros do Conhecimento Antigo, ensinava que “a alma (psique) é uma coisa[1]
imortal, e que se transforma em outras espécies de coisas vivas; ademais, tudo o que nasce torna a nascer nas revoluções de um determinado ciclo, nada sendo absolutamente novo; e que todas as coisas que nascem com vida devem ser tratadas como coisas afins”. Os Antigos viam e confirmavam essa afinidade entre as coisas através de valores aritméticos. Um dos méritos de Pitágoras foi unir o sutil e o material em uma linguagem menos hermética e que pôde chegar até nós. Ele ‘traduziu’ e reduziu, por meio de equações matemáticas, as emanações para NOVE valores, que foram com o passar do tempo, adaptados aos alfabetos atuais. Isso nos possibilita, por exemplo, “ver” as afinidades entre as palavras. O processo é QUALITATIVO. Valor é uma qualidade, motivo pelo qual adotei em meu trabalho o termo grego ARITHMO para a emanação manifestada em cada letra.

A Ciência, tradução do vocábulo grego Mathema (Μάθημα), se manifesta através dos arithmos (αριθμός)[2]
, energias específicas que interagem entre si e com o mundo físico. Seu estudo é a Arithmologia que por sua vez se subdivide em diversas matérias como, por exemplo, geometria, aritmética, física, etc.

Poucos estudiosos, em sua maioria de gerações passadas, usam o termo Aritmologia. Eu dei preferência em manter o th original em função do valor intrínseco na palavra. Usando a gemátria[3]
com os valores atuais das letras vemos a diferença:
ARITMO = 31/4
ARITHMO = 39/12/3

Na hipótese ARITMO lidamos com que se costuma chamar “numerologia” – uma coisa básica e terrena, fechada em conceitos absolutos e, portanto impossível no plano da dualidade em que vivemos. O 4 resultante mostra exatamente isto. Por menos que os profissionais demonstrem isso, o quatro é tradicionalmente o número do fracasso, da pobreza e tristeza geral. As coisas (pessoas ou não) dessa categoria são consistentes, confiáveis, práticas – e também monótonas, pouco inspiradas. Carecem de vivacidade. São convencionais, de caráter simples, que não gostam de mudanças em seus padrões estabelecidos. O 3 tem a característica de ser otimista e o 1 é a síntese da ativação. Porém neste caso o otimismo se exacerba em função do ego e as pessoas presumem que mudar algumas letras vai atrair a bonança, a felicidade e o sucesso.
Já ARITHMO traz de volta a essência da Ciência. O 39 pode ser resumido como “a expressão da espiritualidade”. O doze é o propósito de vida mais alto possível para os próximos nove séculos. O 3 resultante é extremamente afortunado, implicando energia criativa, inteligência, vivacidade, versatilidade. A fórmula por extenso fica assim: “expressão da espiritualidade é a soma da criatividade e autoconfiança com a cooperação e o equilíbrio dos opostos manifestando sensibilidade”.

A “numerologia” usada hoje no Ocidente é um aspecto menor da Ciência dos Arithmos. Na verdade a maioria procura uma espécie de “numeromancia” e artifícios numéricos para facilitar a vida.
Não adianta incluir ou retirar letras de um nome se, concomitantemente não for feito um trabalho interno.
Não adianta saber se “sou um 3”ou “sou um 8” sem saber quais as energias que interagem e de que forma.
Não adianta tratar qualquer coisa superficialmente, pois ela vai voltar mais cedo ou mais tarde, da mesma forma ou de outra.

A meu ver a Arithmologia contém – além das matérias que já sabemos – o que eu chamo Arithmognose Terapêutica que vem a ser o cuidado consigo mesmo e com outros através do Conhecimento e essência dos números pessoais, ou seja, a necessidade de conhecer (gnose) as energias influentes (arithmos) para melhor cuidar (therapia) de si mesmo e de outras coisas como conseqüência.

Arithmologia é, portanto, o estudo dos valores dos algarismos representativos das energias ou forças sutis e sua influência sobre o meio e os seres vivos, enquanto que Terapia é um termo que, em grego, significa cuidado, solicitude, previsão, trato cuidadoso. Tratando cuidadosamente nossas energias através do conhecimento prévio podemos antever problemas e soluções. Autoconhecimento não é uma expressão nova. Na verdade é o pré-requisito para o Bem Viver.

Nosso nascimento possui um ponto inicial e, portanto, é passível de ser valorado. Por isso é que a partir do início da vida em determinado ciclo, a Data do Nascimento, podemos traçar as tendências para esta vida em particular observando os ciclos de seu desenvolvimento em busca do seu propósito.
O número inteiro do nascimento indica, em pura fórmula matemática, a mistura especial de energias compreendidas em cada Caminho de Vida individual, os problemas e o potencial. Devemos resolver os primeiros antes de realizar o segundo. Cada dígito do número do nascimento revela sentidos ocultos relacionados ao Propósito, e todas as energias dos dígitos contribuem para o contexto. A ordem de cada dígito determina seu grau de influência. O dígito ou dígitos finais da direita indica o Propósito Primário.

O impulso para compreender o Propósito da Vida é tão importante para o crescimento psíquico-espiritual do ser humano quanto o comer bem é importante para a sua sobrevivência biológica.
Enquanto não reconhecemos e não vivemos de acordo com o nosso propósito fundamental, nossa vida pode dar a impressão de ser um quebra-cabeça desarrumado: podemos acreditar que estamos aqui para “fazer alguma coisa”, mas não conseguimos captá-la. Trabalhamos e descansamos, ganhamos dinheiro e gastamos, temos nossa cota de prazeres e dificuldades, mas o reconhecimento do propósito fundamental de nossa vida pode continuar a fugir-nos.

Dan Millman

Lewis Yablonsky cunhou o termo Robopatologia[4]
para explicar a espécie de patologia em que a maioria das pessoas vive. O robopata vive um tipo de vida mecânica, automatizada, repetitiva. Satisfaz as exigências do dia-a-dia, mas nunca satisfaz A exigência eterna. Cumpre suas “obrigações”, inclusive de ficar alegre, mas nunca está totalmente vivo. Não questiona as regras sociais. Uma característica visível é o ritualismo: fazer o que deve ser feito sem saber o porquê. Não se permite a dúvida – ele crê, não suspeita porque dúvida cria o temor. Nunca param para se olhar no espelho diretamente e perguntar – QUEM SOU EU?
Quem realmente somos, só o Intimo de cada um pode responder. Nossa personalidade consiste de “roupas sobre roupas”. A palavra personalidade vem de uma raiz latina; “personæ”, significa máscara. Nós usamos várias durante a vida, porque para situações diferentes precisamos de diferentes atitudes. Nossa personalidade é feita de muitos rostos falsos, “presente” da sociedade, dos pais, da escola, da cultura, da civilização onde estamos.
É FALSO, NÃO É O SER!!
Essência é a face original – sem máscaras. Essência é aquilo que o ser trouxe ao mundo quando nasceu. É um presente da EXISTÊNCIA.

O Propósito de Vida Primário – aquilo que se tem o potencial para atingir – faz parte da Essência e não da personalidade. O que fazemos com o potencial que temos depende, em sua maior parte, de nós mesmos.
Não podemos recusar o Caminho, para onde quer que dirijamos nossos passos o Caminho aparece debaixo dos nossos pés. O Modo como caminhamos e o Tempo que levamos para trilhar dependem do nosso Livre Arbítrio e somente aí podemos interferir.
Arithmologia, Astrologia, Ciência Tarótica e outras ciências mais ou menos formais são apenas utensílios, dispositivos de ajuda para o processo de autoconhecimento. Crenças e religiões são apenas suportes que auxiliam o processo.

Nossas vidas são cíclicas:
Nascimento - Vida - Morte
Infância - Adolescência - Maturidade
Ciclo de Saturno - Ciclo de Urano - Ciclo Lunar
Colégio - Faculdade - Pós-graduação
Formatura - Mestrado - Doutorado

E outros tantos.

Além destes e de outros, a vida de cada um é “dividida” em ciclos de nove anos de experiências que se sucedem – cada ano desse ciclo tem propósito e energia próprios. Na Arithmologia eu trabalho com o Ciclo do Ano-Pessoal compreendido entre um aniversário e outro. As diferenças surgem apenas no foco: uma criança, um adolescente, um adulto ou um idoso, tem focos diferentes sobre esse propósito e como usar essa energia.

Em resumo as energias, quando não são obstruídas, são:

1 - ATIVAÇÃO
2 - ATRAÇÃO
3 - EXPANSÃO
4 - SEGURANÇA
5 - EXPERIÊNCIA
6 - HARMONIA
7 - ANÁLISE
8 - RECOMPENSA
9 - LIBERAÇÃO

Por exemplo:
O BRASIL tem como Arithmo do Caminho de Vida o 29/11/2.
O primeiro dois demonstra a tendência à solidariedade, cooperação e amálgama de sua população. O nove demonstra uma tendência à integralidade e, portanto a espiritualidade do povo. O onze demonstra a tendência à liderança, inspiração e serviço a Humanidade, ao mesmo tempo em que acentua o poder da sua redução – dois – o maior problema. O dois mal direcionado cai em seus atributos negativos, tornando o Brasil manhoso, descuidado, pusilânime, medroso, indiferente, insensível, indulgente, descortês, etc.
Como andam os brasileiros de um modo geral. Agora essas questões virão à tona.

2007// 9– um ano final de um ciclo de nove anos de Gaia, um ser vivo como nós. Esse ano deve resultar no apuro e na qualificação do desempenho baseados nas metas estabelecidas no primeiro ano deste ciclo (1999). É hora de reflexão e reavaliação. Finalizar é a chave. Será preciso selecionar as prioridades e permitir que as mudanças aconteçam. O ano Nove por ser um período de “fechamento de contas” exacerba as características energéticas do próprio Arithmo dominante das pessoas, lugares ou eventos.
Ou o brasileiro acorda e trabalha seu Arithmo 11, fazendo as modificações que precisa, repensando seus erros e acertos, corrigindo sua maneira de agir e ser, ou tudo vai acabar em uma grande depressão.
O brasileiro deve se conscientizar de sua Nação e ser BRASILEIRO antes de querer ser qualquer outra coisa, desenvolver sua INDIVIDUAÇÃO.
Não é fácil – mas é necessário se individualizar.
Ser não dividido é ser íntegro.
Se Autoconhecer.
Ser Humano.

Notas:

[1] Coisa ou cousa é tudo o que existe ou pode existir. Existência implica em manifestação.
[2] O termo ΑΡΙΘΜΟΣ significa número, mas também duração, consideração, conta ou caso que se faz de alguma coisa; isso no grego moderno. Para a o Autoconhecimento o arithmo é a essência, a energia irradiante das influências da própria Mathema.
[3] GEMÁTRIA é a soma dos valores das letras. Essa palavra é uma metátese da palavra grega ΓΡΑΜΜΑΤΟΣ (grammatos) adotada pelos hebreus, provavelmente no período da primeira Diáspora quando muitos hebreus helenizados se instalaram em Alexandria.
[4] Comportamento de existência de robô.


Lília Palmeira, 2006, 2007©.
TECHNU® – Órgão de Divulgação da Ciência Tarótica.
SOCIEDADE LAMATRONIKA® - Todos os direitos reservados.

Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

O TRIUNFO DA MORTE

INTRODUÇÃO

Esta é uma boa oportunidade para que haja alguns interessantes esclarecimentos sobre a tão polêmica lâmina do Livro de Thoth, chamada Morte.
Muito se fala sobre a Morte no que concerne ao seu contexto místico, supersticioso, alquímico entre outras considerações. Geralmente falar da Morte, é algo ao mesmo tempo intrigante e também assustador, pois não se sabe o que há do ‘outro lado’ ou ‘além’ da vida.
Desde os tempos antigos, muito se estudou e falou sobre este delicado tema, no entanto, as concepções tanto vulgares como escatológicas da Morte se misturaram de uma forma descontrolada e desta junção surgiram vários equívocos e superstições que transviaram os conceitos mais internos do que realmente ela significa, e o que nos restou sobre sua real leitura está inclusa na simbologia e iconografia de diversas gravuras e pinturas realizadas na Idade Média passando pelo frescor da Renascença que resgatou os mitos mais antigos da Grécia e confluindo pela alegoria detalhada do Barroco onde se desenvolveu para novos traços soturnos e ocultos da Tradição Hermética Romântica.
Mesmo em meio a tantas transformações, a Morte sempre realizou sua Dança, se adaptando aos costumes culturais que marcha sempre a dispor do seu Triunfo.
Apesar deste tema ser muito mais antigo do que o período que este ensaio abarcará, resta testemunhar que a época mais rica concernente a Morte é a Idade Média e a Renascença, pois, representam ambas uma equívoca compreensão e um natural fascínio que abraçou as mentes destes dois períodos.
Humanistas dos anos Trecentto tais como François Rabelais (†1553), Francesco Petrarca (†1374), Giovanni Boccaccio (†1375) só para citar alguns, todos se basearam muito nos escritos do poeta florentino, Dante Alighieri (†1321), principalmente na sua maravilhosa obra A Divina Comédia, que descreve a ascensão de um andarilho ao cume de sua Iniciação atravessando três aspectos da Morte. Estes humanistas tiveram forte influência sobre a literatura e pintura daquela época, por exemplo, Petrarca, um grande erudito, por volta de 1356 escreve um belíssimo poema chamado Il Trionphi, que retrata através de alegorias triunfais em suas procissões seculares seis cartas Trunfos, Amor (Os Amantes), Castidade (A Temperança), Morte, Fama (A Carruagem), Tempo (O Eremita) e Eternidade (O Mundo). Inclusive existe uma teoria sobre a etimologia da palavra Trunfo dado aos Arcanos Maiores, atribuídos ao título do poema de Petrarca, e outros a Jacopo Antonio Marcello, um orador do século XV.
Alguns pesquisadores da história do Tarô se baseiam na criação da lâmina XIII através de um drama distinto do ciclo litúrgico que é naturalmente chamado de diversos nomes como, A Dança da Morte, A Dança Macabra etc. Este drama foi provavelmente incentivado pela Peste Negra que devastou a Europa entre 1347 e 1364. A ocorrência deste fato foi devido a enorme dificuldade que existia quanto a higiene entre os europeus, ao contrário do Oriente cuja limpeza era muito apreciada, houve a proliferação epidêmica por quase todo o Ocidente.
A Dança da Morte chama atenção do homem para assuntos mais espirituais, e não a frivolidade que abraçava a muitos devido à insatisfação existente naqueles tempos levando muitas pessoas para devassidão a fim de contrariar um conceito dogmático e ditador que os meios religiosos impunham a população. O simbolismo mortuário conota que a Morte existe para todos independentes de classes ou hierarquias, e que nada se leva para o outro mundo a não ser sua moral e retas ações e esta era a visão pictórica representada no Cemitério dos Inocentes em Paris, que qualifica todas as classes sociais, tais como, O Papa, O Imperador, O Mendigo, O Louco, O Eremita entre outros de modo que nada escapa a Morte.

AS VARIAÇÕES DA DANÇA DA MORTE

Numerosas versões da Dança da Morte foram pintadas por inúmeros gravadores na Holanda, Alemanha e Bélgica. Seu fascínio perdura até os tempos modernos[1]
, e tende a continuar.
Em sua Divina Comédia (1918:768), Dante no ‘Purgatório’ se depara com a Morte quando se confessa como culpado, e assim Mathilde mergulha-o no Lethes para purificá-lo. Esta confissão foi necessária para que Dante pudesse prosseguir em seu Caminho que o levaria até o Paraíso por Beatriz, sua Essência. Neste momento ele estava preparado para sua primeira morte e neste exato instante é recitado no verso 34 do Capítulo XXXI:

“Mathilde, abrindo os braços de repente,
Cingiu-me a fronte e subito afundou-me;
Era dessa agua haurir convenientemente”.

Análogo a Dante, um outro excelente poeta, gravador e pintor inglês, Willian Blake (†1827) em The Couch of Death (Poetry and Prose of Willian Blake