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sábado, 24 de agosto de 2013

As Figuras da Noite: Um Relicário Liminal[1]

Definido para publicação no Outono de 2013 (Hemisfério Norte)

Por Sophie de Honnecourt

Nas palavras da autora:

Arte por Kyle Fite
De tempos em tempos os deuses falam por números. Seus números não são limitados pela razão. Eles são figuras que surgem espontaneamente durante a noite, presságios lançados na terra para moldar à consciência. Eles não medem quantidades finitas ou calculam as relações de causa e efeito, em vez disso, eles evocam qualidades primordiais, essências que revelam a natureza da consciência e do destino do homem. Os números dos deuses não são aqueles da lógica humana. Eles permanecem em sua expressão fenomenal como imagens pontuais do infinito. Eles não afetam uns aos outros, pois são metamorfoses de um continuum de consciência, perfeitamente trazidos para o ponto de momento[2] após momento como uma exposição figurativa rítmica. 
Este livro traça o surgimento de algumas figuras-chave no início do primeiro milênio cristão, quando eles apareceram nas obras do poeta e magista romano Virgílio, Adepto da tradição Pitagórica. O surgimento desses números retornou em 1904, quando apareceu em Liber Al vel Legis, um livro em três capítulos transmitidos por Aiwass, uma inteligência não-humana, para o ocultista Inglês Aleister Crowley em 1904 na seqüência de um ritual mágico realizado na Grande Pirâmide do Cairo. Através das vozes de três divindades, Nuit, Hadit e Ra-Hoor-Khuit, o greco-egípcio Livro da Lei anuncia a inauguração de um novo Æon, como os escritos de Virgílio definem a base espiritual para toda uma civilização. Entre os restos desta civilização estão os nomes sagrados, números e figuras, os ossos da Vontade que moldaram sua história, relíquias para serem enterradas aos pés de uma nova era para nutrir seu crescimento futuro. 
Números são inseparavelmente ligados a figuras, como uma mente a um corpo. Logos e cosmos estão naturalmente presentes na paisagem infinita; figuras delineiam dimensões do espaço, abrindo e fechando as portas entre os mundos, tecendo e dissolvendo Æons, guardando limiares, escurecendo e iluminando as percepções sensoriais. Sua linguagem retorna a mente e os sentidos ao seu núcleo mais íntimo, o vazio prenhe a partir do qual surgem os fantasmas da criação. Quer queira ou não, os números estão aí, assombrando a terra média, irritantemente ligando tempo e espaço, restringindo o livre arbítrio. A tentação de negá-los nunca perde o seu apelo, no entanto, através de milênios, eles estão, paradoxalmente, desafiando a lógica, contrariando dissolução total, trazendo à tona novamente assim que o vazio é atingido. Todos os fenômenos, acima e abaixo, estão sob seu feitiço, não há lugar para se esconder das figuras da noite. 


Notas de Rodapé:

[1] Liminal surge do latim Limin (Limiar) que é relativo a um estado intermediário ou de transição. Na Tradição Oculta é conhecida como inbetweeness, intervalo interior. Este é um termo que o Hermetista Britânico Kenneth Grant utilizou em suas Trilogias Tifonianas. Inbetweeness é o estado de Vazio ou Sunnyatta, sem espaço e tempo, pura percepção. 

[2] Ponto de Momento Zero é um conceito relacionado com a dinâmica e controle da locomoção das pernas, por exemplo, de robôs humanóides. Especifica o ponto em relação à qual a força de reação dinâmica ao contato do pé com o solo, não produz qualquer momento na direção horizontal, isto é, o ponto onde o total da vertical, a inércia e forças de gravidade é igual a 0 (zero). O conceito pressupõe que a área de contato é plana e tem atrito suficientemente elevado para manter os pés a partir do deslizamento. 
Este conceito foi introduzido em Janeiro de 1968 por Miomir Vukobratovic no The Third All-Union Congress of Theoretical and Applied Mechanics, em Moscou. Nas seguintes obras e trabalhos que foram produzidos entre 1970 e 1972 viria, então, ser chamado de ponto de momento zero e seria divulgado em todo o mundo. (Wikipedia).


©Tradução de Cláudio César de Carvalho - 2013
©STARFIRE Publishing Ltd - 2013. Publicação original em Inglês acesse: The Figures of Night
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